sábado, 10 de setembro de 2011

Seres humanos, racionais?

Foi na frança, durante a II Guerra Mundial: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis horas da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta para casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam, faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento para o seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas disse que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixando o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé , atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso na pata, voltava ao seu posto de espera.
O jovem morreu em um bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Com o passar dos anos as pessoas foram esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro, já velhíssimo, continuou a esperá-lo na esquina. 
As pessoas estranhavam, "mas quem esse cachorro está esperando?", diziam. Uma tarde de inverno, ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.

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